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Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 19h35
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Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 08h57
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Mudamos de Endereço

Por questões operacionais, mudamos de endereço para www.politikas-politicando.blogspot.com

Seja muito bem vindo!!!

Um abraço,

Luís Carlos Lins

Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 18h32
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Mecha de cabelo de Che é vendida por US$ 119,5 mil
 
da bbc Brasil
Mecha de cabelo de Che Guevara vendida em leilão
Cabelo foi retirado do cadáver de Che por agente da CIA, em 1967
 
Uma mecha de cabelo do líder revolucionário Ernesto Che Guevara foi vendida por US$ 119,5 mil nesta quinta-feira, em um leilão realizado na cidade americana de Dallas.

A mecha de oito centímetros foi retirada do cadáver do revolucionário pelo ex-agente da CIA (a agência de inteligência americana) Gustavo Villoldo, que participou da captura e da execução de Che, em outubro de 1967, na Bolívia.

Além do cabelo, o lote negociado incluía outros objetos relacionados à morte de Che, como fotografias do cadáver e impressões digitais tiradas do revolucionário depois de sua morte, além do mapa do local onde ele foi capturado e de cartas.

As relíquias foram vendidas para o único interessado, Bill Butler, de 61 anos, dono de uma livraria nos arredores de Houston. Butler fez o lance por telefone pagou o preço de reserva, acrescido de um prêmio.

A vice-presidente de mercado da casa de leilões Heritage Auction Galleries, Kelly Norwine, disse à BBC que o comprador pretende deixar o cabelo do revolucionário em exposição em sua livraria.

Protestos

A venda não foi a primeira do tipo feita pela Heritage Auction Galleries. A empresa já vendeu em ocasiões anteriores madeixas de personagens famosos, como Abraham Lincoln, Elvis Presley e Marilyn Monroe.

Desta vez, no entanto, o leilão provocou protestos por parte da viúva e de admiradores de Che.

A empresa promotora reforçou a segurança para o pregão por temor de manifestações.

Segundo Norwine, um grupo de admiradores de Che chegou a criticar a casa de leilões por "cumplicidade com o assassinato do glorioso revolucionário".

"Missão cumprida"

O ex-agente da CIA que era proprietário do lote disse que cortou a mecha de cabelo, coletou impressões digitais e fotografou o cadáver de Che para provar que sua missão havia sido cumprida.

Villoldo disse à BBC que decidiu vender a coleção porque, para seus filhos, que são americanos, ela não tinha significado. "O valor histórico que poderia ter é para mim e para Cuba", afirmou.

O ex-agente da CIA disse que não ficou decepcionado pelo fato de o leilão ter apenas um interessado. "Pelo contário", afirmou, dizendo-se supreso pelo fato de alguém estar disposto a pagar "pelo que representa Guevara", a quem considera um assassino.

Ele afirmou também esperar que o comprador ajude a preservar os objetos. Villoldo disse à BBC que preferiu vender a coleção em vez de doá-la a um museu.

"Nos museus com os quais fiz contato, não achei atraente o tratamento que pretendiam dar à coleção", afirmou o ex-agente da CIA.



Corrupção policial alimenta facção criminosa

PCC censurado

do Conversa Afiada

A repórter policial Fátima Souza escreveu um livro em que retoma os dez anos de história do PCC (Primeiro Comando da Capital). “PCC – A Facção” é um livro-reportagem e foi editado pela editora Record.

Fátima Souza disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 26, que o PCC não acabou e que há um acordo entre a mídia e o governo para não falar sobre a facção (clique aqui para ouvir o áudio).

“Está havendo um acordo em relação ao PCC. Um acordo entre as emissoras de rádio e de TV e o governo, visto que daqui a pouco tem eleições. Gente que foi daquela época que não se combateu o PCC volta a ser candidato”, disse Fátima Souza.

Fátima Souza disse que o PCC é “maquiado”. Segundo ela, quando o PCC realiza algum assalto, por exemplo, a mídia e a polícia evitam falar que se trata de uma ação da facção.

“Ações que hoje são feitas pelo PCC, como assaltos a condomínios, assaltos a bancos e roubo de carga não têm sido divulgados como sendo da sigla PCC. Uma parte da imprensa tem evitado falar da sigla”, disse Fátima Souza.

Segundo Fátima Souza, para combater o PCC é preciso, primeiro, acabar com a corrupção policial. Ela disse que é por meio da corrupção policial que entram os celulares – a maior arma do PCC – nas cadeias.

O livro de Fátima Souza também retoma o caso do “Castelinho”, que foi um episódio em que cerca de 300 policiais cercaram e mataram 12 supostos assaltantes numa estrada do interior, conhecida como Castelinho. A Operação, que ficou conhecida como “Castelinho”, ocorreu durante o governo de Geraldo Alckmin.

Fátima Souza ouviu os presos que sobreviveram à Operação. Ela disse que conta no livro a versão deles sobre a Operação Castelinho. Fátima Souza ouviu dos presos que a policiais se infiltrou no meio do grupo e fingiram ser bandidos para prender os integrantes do grupo.

Os presos disseram para Fátima Souza que a polícia agiu por vingança e que a polícia escolheu aquela quadrilha porque o grupo fez um resgate no mesmo local, em Sorocaba (SP), onde morreu um policial e outro ficou paraplégico. Segundo os presos, a polícia armou um esquema para executar os membros da quadrilha.

Clique aqui para saber mais sobre o livro "PCC – A Facção".

 



Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 19h27
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Boa Notícia: Cai audiência da Globo

Colosso. Não mais impávido

por Alisson Avila - Carta Capital

A Globo sofre uma inédita queda de participação na audiência em 2007

A letra de É Hoje, canção de Didi e Mestrinho eternizada no samba e na música popular brasileira, é sempre lembrada como “aquela que fala da luta do rochedo contra o mar”. E é mais ou menos isso o que acontece, guardadas as devidas proporções, na velha guerra da audiência da tevê brasileira. A Rede Globo trata de manter-se impávido colosso diante dos vagalhões projetados por Record e SBT contra o seu rochedo.

Ambos os canais fizeram (SBT) e fazem (Record) todo o possível para reduzir a histórica superioridade que começou a ser construída pela empresa da família Marinho na tevê aberta do País a partir dos anos da ditadura militar. E parece que tanto esforço e energia – e especialmente dinheiro, tratando-se da Record – começam a gerar sinais de erosão na pétrea estrutura da Globo.

A emissora de Faustão, Xuxa e Ana Maria Braga, mesmo sem ver afetada a folga na liderança, perde participação de mercado. Enquanto isso, a Record cresce, e bem, e o SBT segue caindo, mas faz questão de mostrar que ainda não perdeu a batalha. Arma-se assim o cenário para um acirramento muito maior da disputa a longo prazo.

Tais conclusões são resultado da análise dos dados do Ibope Telereport, interpretados em perspectiva de janeiro de 2005 até agosto de 2007, a partir do filtro mais utilizado pelo mercado de propaganda na hora de definir quanto de dinheiro será investido em cada rede: o chamado share de audiência das emissoras. Trocando em miúdos, trata-se da participação de mercado (leia-se quantidade de espectadores), em pontos porcentuais, que Globo, Record, SBT, Band e demais tevês abertas possuem.

A partir dessa métrica, vê-se que, na Grande São Paulo, a Globo sofreu uma queda de 9,5% no chamado horário nobre (das 6 da tarde à 1 da manhã), quando se compara a média de janeiro a agosto de 2007 ao mesmo período de 2006. Em âmbito nacional, a perda foi de 7%.

Estendida a referência para o dia inteiro (das 6 da manhã à meia-noite), descobre-se que o share caiu 10,5% na Grande São Paulo e 7,3% no total nacional (tabelas na edição impressa).

À medida que desce a curva da Globo, outra curva sobe. A Record, mesmo que a partir de uma base muito menor, que facilitaria um crescimento acelerado, avançou 23% no horário nobre na região metropolitana paulista e 22,5% no total nacional nos oito primeiros meses deste ano, na comparação com 2006. No acumulado do dia, sob a mesma referência do cálculo da Globo, a emissora de Edir Macedo ampliou a participação em 28% em São Paulo e 27% no Brasil de um ano para o outro.

Os dados são praticamente públicos: qualquer agência de publicidade ou veículo de comunicação pode comprar os sistemas de pesquisas do Ibope e selecionar determinados filtros, gerando dados que permitam a comparação. O detalhe é que esses números, segundo as regras do mercado, não podem ser divulgados publicamente, ou seja, devem circular apenas à boca pequena.


Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 19h22
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Dilma e a teoria do beijo na testa

     
Escrito por Luiz Antonio Magalhães   

Antes de falar das chances e atributos da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, em uma ainda longínqua, mas cada vez mais presente campanha eleitoral de 2010, vale a pena a leitura do diálogo abaixo, entre o jornalista Paulo Henrique Amorim e um motorista de táxi de Salvador, que iniciou a conversa:

 

– Cada um vai para o seu canto.

– Vai alguém para o canto de Jacques Wagner?

– Vai, respondeu o Souza, “e alguém agüenta ficar três anos fora do puder? (Puder, com u mesmo.)

– E quem é o puder?, perguntou o jornalista.

– É Jacques Wagner aqui e Lula no Nordeste, respondeu Souza.

– E no Brasil?

– No Sul, não sei como é que é.

– Você entende é da Bahia...

– Sim, e aqui sempre votei em ACM e em Wagner.

– Mas, como assim, em ACM e Wagner?, perguntou Amorim, perplexo.

– ACM arrumou o emprego da minha filha na Ford. Voto nele sempre que for preciso. Mas não na turma dele. Voto NELE!

– E Wagner?

– Porque Wagner é Lula.

– E porque Lula é tão importante assim?

– Porque, “a nível de Nordeste”, só tem pra Lula...

– Ah, é o Bolsa Família...

– Não, eu não tenho nada com o Bolsa Família, não. Eu sou diabético e por causa da Drogaria do Povo, hoje pago 10% do que eu pagava por meus remédios, explicou Souza.

– E quem você acha que vai suceder o Lula?

– Wagner!

– Mas você acha que Wagner entra no Sul?

– No Sul, não sei, mas, ‘a nível de Nordeste’, é só ele.

– E lá no Sul, quem pode ser?

– Bom, meditou o Souza, tem o Aécio e o Serra.

– É, parece que é, confirmou o jornalista.

 

Souza continuou sua análise, “a nível do Sul”:

 

– O Aécio pode ser, mas o Serra, depois de tudo o que ele já disse do Lula, acho muito difícil ele sair candidato.

– Mas, péra aí, Souza, ele pode sair candidato CONTRA o Lula, argumentou Amorim.

– Ah, mas ai não dá. O cara só se elege se o Lula der um beijo na testa...

 

Além de divertido, o diálogo serve como uma fotografia da realidade política do Nordeste brasileiro hoje. A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região é espantosa, basta lembrar que na última pesquisa realizada pelo instituto Sensus, em abril, a aprovação dos nordestinos a Lula passou de 80% – exatos 82,9% contra a média nacional de 63,7%. É bastante provável que o presidente se torne uma espécie de mito na região, o que não impede, como fica claro no diálogo, que caciques locais, ainda que adversários do PT e de Lula, consigam sobrevida política em seus estados.

 

Onda feminina e as pedras no caminho

 

O Brasil é realmente muito mais complicado do que parece à primeira vista. Nos últimos dias, jornalistas e analistas políticos têm comentado a suposta disposição da ministra Dilma Rousseff para ser candidata à sucessão de Lula. Alguns se animam com a “tendência internacional” da eleição de mulheres: a lista é longa e tem em Cristina Kirchner (Argentina), Angela Merkel (Alemanha), Michelle Bachelet (Chile) e Hillary Clinton (EUA) alguns exemplos já entronados ou em vias de chegar lá. Outros afirmam que Dilma é a única solução politicamente viável no PT e que o partido de Lula jamais aceitaria ficar de fora ou compor chapa em 2010. Há até os que chegam a afirmar peremptoriamente que Dilma já recebeu o “beijo na testa” de Lula e foi ungida à condição de “plano A” do atual chefe do governo federal.

 

É melhor ir devagar com o andor, o santo é de barro. Quem conhece minimamente o Partido dos Trabalhadores sabe que à exceção da inconteste liderança de Lula, nada por lá é resolvido de forma fácil e tranqüila. É da natureza dos petistas a disputa interna, muitas vezes acirrada e dura. Até mesmo o presidente Lula teve de disputar uma prévia em 2002, por causa da insistência do senador Eduardo Suplicy em levar a sua pré-candidatura adiante... Ademais, como se sabe, o PT só teve um candidato à presidência do Brasil em toda a sua história. Em 1998, Lula dizia que não disputaria, deixou o jogo correr, mas matou politicamente as lideranças que se apresentaram como alternativa na disputa – o atual ministro da Justiça, Tarso Genro, é o exemplo mais notável.

 

Processo complicado

 

A escolha de um nome para a sucessão de Lula, portanto, não será algo tão simples quanto parece. Ademais, o presidente tem reiterado que gostaria de ver a sua base aliada seguir unida para a eleição, a fim de enfrentar a oposição, hoje curiosamente melhor posicionada nas pesquisas de intenção de voto não por méritos próprios, mas justamente pela ausência de um nome que a população perceba vinculado ao presidente. Não, ele não pode ser candidato, mas coloque-se o presidente Lula na pesquisa e o tamanho da oposição será outro.

 

De toda maneira, também não há um “nome natural” a unir os partidos da atual aliança. Ciro Gomes (PSB) é quem mais se aproxima deste perfil, com a vantagem de já ter concorrido à presidência, mas há setores do PT bastante resistentes ao cearense, até pelo seu passado de homem da Arena e do PSDB. Nelson Jobim, se bem sucedido no ministério da Defesa, pode também se tornar uma opção viável, mas sofre ainda mais com a restrição dos petistas mais à esquerda, que o tem como grande amigo de Fernando Henrique Cardoso e o consideram o mais tucano dos peemedebistas.

 

Com este cenário, muitos analistas pensam que Lula pode optar por entrar na disputa com vários cavalos – Ciro, sem dúvida; um peemedebista que pode ser Jobim ou o governador do Rio, Sérgio Cabral; e um petista. Dilma seria, hoje, a favorita, à frente de Tarso Genro por estar mais próxima do chamado núcleo duro do Planalto (o ministro da Justiça nem sequer faz parte da corrente majoritária do PT). A ministra de fato tem alguns bons atributos para a disputa: assumiu a gerência do governo com discrição, foi crescendo como liderança relevante, adquirindo um status maior do que o inicial e deixando para trás a sombra do super-poderoso José Dirceu. Dilma é gaúcha, região onde Lula é pior avaliado no país, tem fama de ser durona, foi guerrilheira, e não há uma única denúncia no campo ético contra ela. Enfim, na mão de um marqueteiro experiente, é um “produto” bem vendável: com um pouco de treino, se comunicará melhor e conseguirá maior empatia com os eleitores.

 

O problema real, porém, não é a viabilidade eleitoral da ministra, mas o cenário político. Em uma disputa com vários cavalos, a população pode achar que Lula não beijou a testa de Dilma, para lembrar a conversa de Paulo Henrique e o taxista. A ministra só vence a eleição se a economia continuar indo bem, é óbvio, e se o povão reconhecer nela a marca do presidente Lula. A grande questão é saber se Lula vai querer mesmo beijar a testa de alguém...

 

 

Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br).

Blog do autor: www.blogentrelinhas.blogspot.com


Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 18h30
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Opinião

Che: Homem e Exemplo (final)

     
Escrito por Pietro Lora Alarcón   

  Ingressamos, nesta fase final das nossas anotações sobre a contribuição de Ernesto CHE Guevara, a alguns aspectos de seu pensamento sobre as formas de luta e as vias para a revolução. Com relação a tais pontos, CHE não somente argumenta sobre as possibilidades cubanas de triunfo e construção do programa socialista, mas também sobre as perspectivas de uma mudança no cenário da América Latina na sua plenitude e, ainda, de uma mutação na correlação de forças internacional contra os Estados que promovem o colonialismo, em tempos de Guerra Fria.

 

A real dimensão do humanismo revolucionário do CHE somente pode ser explicada a partir da ação em favor da libertação dos povos. CHE entendia que os aliados naturais do processo revolucionário não eram necessariamente os governos, nem sequer, como ele mesmo expressou várias vezes, aqueles que se apresentavam como amigos e, no entanto, eram presas fáceis das tentações dos Estados mais poderosos, senão os povos. Assim, a luta popular em outros países não somente da América Latina, mas da África e da Ásia, assim como a resposta solidária que fosse dada desde o interior dos países centrais, seria de fundamental importância para o sucesso da Revolução Cubana e de todo e qualquer processo que empreendesse o caminho ao socialismo.

 

Duas questões importantes devem ser levadas em conta nesta ação libertadora: a primeira, a ação militar propriamente dita, que implica no Che a preparação que obtém com o General Bayo, sua leitura sobre os fundamentos de tática e estratégia de Clausewitz e, obviamente, sua experiência na guerra de guerrilhas; a segunda, a vocação internacionalista, a qual nunca abandonou e que foi o resultado, não somente da compreensão de que a Revolução Cubana somente teria possibilidades de sucesso sobre a base da solidariedade internacional, das contínuas convocações ao conjunto dos povos à luta antiimperialista, senão, essencialmente, da sua vivência, a que o colocou em contato com a realidade desesperada e sem esperanças dos homens e mulheres da América.

 

Como acertadamente lembra Roberto Massari em sua Che Guevara: grandeza y riesgo de la utopia”, a preparação militar do Che começa na Guatemala em 1954, quando se alista nas brigadas juvenis, e prossegue no México sob as ordens do General Bayo. O General, veterano da Guerra Civil Espanhola, tinha a virtude de complementar conhecimentos militares próprios das práticas de um exército regular com os conhecimentos da guerra de todo o povo e das históricas guerras de trincheiras no cenário americano. CHE lembra especialmente dos seus ensinamentos por ocasião da vitória em Las Villas. Quando, após sua morte física, publica-se a obra Táctica y Estratégia de la Revolución Latinoamericana, é possível observar a influência de Bayo aliada às formulações sobre a guerra e a política oriundas de Clausewitz.

 

Tema de obrigatória abordagem é sua percepção sobre a questão moral e seu entrelaçamento com a questão militar. As forças revolucionárias, sustenta, devem crescer moralmente, posto que essa é a base para o cumprimento das tarefas no dia a dia. O agir está ligado à espiritualidade. Essa opinião a levará em conta até o final em solo boliviano. E, a essa questão moral, Che adiciona na prática dois elementos: a tática de guerra de movimentos - por isso, na Bolívia, Che divide seus homens, como ele mesmo coloca no seu Diário, em grupos de vanguarda, centro e retaguarda em permanente mobilidade – e a unidade com os setores do povo – “La guerra de guerrillas no es outra cosa que una expresión de la lucha de masas y no se puede pensar aisladamente de su medio natural, que es el pueblo”.

 

Há que dizer que a ignorância de alguns lhes permite, sem qualquer pudor, qualificar o CHE como terrorista. Com efeito, demonstrando seu desconhecimento sobre o conceito de terrorismo, sobre a natureza real das ações militares – ecoando sobre o que outros perigosamente dizem –, o acusam sem, minimamente, fazer uma leitura prévia do seu pensamento. É de bom alvitre, quando algo se desconhece, dar-se ao trabalho de ler e, se isto não é possível, então, talvez calar a boca seja a melhor opção.

 

Na obra La Guerra de Guerrillas, publicada em 1960, CHE expõe seu pensamento com relação ao terrorismo: “El sabotaje no tiene nada que ver con el terrorismo; el terrorismo y el atentado personal son fases absolutamente distintas. Creemos sinceramente que el terrorismo es un arma negativa, que no produce de ninguna manera los efectos deseados, que puede inducir al pueblo a ponerse en contra de un determinado movimiento revolucionario y que comporta una perdida de vidas entre sus ejecutores muy superior a la ventaja obtenida”.

 

CHE também não é alguém que reconheça apenas um caminho para a transformação social. Novamente, na sua Táctica y Estratégia de la Revolución Latinoamericana, expressa: “(...) Existe, sin embargo, alguna posibilidad de tránsito pacífico (...) pero, en las condiciones actuales de América, cada minuto que pasa se hace más difícil para el empeño pacifista y los últimos acontecimientos vistos en Cuba muestran un ejemplo de cohesión de los gobiernos burgueses con el agresor imperialista, en los aspectos fundamentales del conflicto.  Recuérdese nuestra insistencia: tránsito pacífico no es logro de un poder formal en elecciones o mediante movimientos de opinión pública sin combate directo, sino la instauración del poder socialista, con todos sus atributos, sin el uso de la lucha armada”.

 

Como é possível perceber claramente, CHE não descartava a possibilidade de assumir o poder e iniciar a construção de uma sociedade mais justa atravessando a luta popular sem o poder das armas. Contudo, também é enfático em reconhecer que a agressão imperial contra Cuba e contra as manifestações populares em prol das mudanças democráticas e progressistas impede os caminhos menos dolorosos para o povo, que, indubitavelmente, se vê forçado a implementar recursos e homens para uma defesa diante de um inimigo poderoso.

 

Pois bem, certamente, muitas questões ainda podem ser ditas sobre a vigência do pensamento de CHE. Nosso propósito não poderia ser esgotar sua ação, vida e obras. Focalizamos, por isso, em três segmentos, os elementos que nos parecem hoje mais determinantes e dos quais podemos extrair lições concretas, não para uma reprodução dogmática, mas para um aprendizado dialético: em primeiro lugar, em tempos de integração, o pensamento do CHE implica reconhecer que a unidade decorre não de pressões econômicas nem políticas, mas de gestos concretos que se dirijam a criar um cenário de paz e de segurança para todos. Falar de integração enquanto as tropas do país destroem, agridem, torturam e enquanto Guantánamo se constitui em terra imune à aplicação da legalidade internacional é a postura mais hipócrita que se pode esperar de um Estado.

 

Em segundo lugar, o resgate do ser humano, como mola propulsora do trabalho, da sua dignidade como agente de mudanças democráticas; e, finalmente, a idéia de que a paz é uma bandeira vigorosa, e que a vocação popular não é a guerra, mas que esta pode ser uma necessidade política, quando se é injustamente agredido e é preciso a defesa mais intransigente dos direitos do ser humano.

 

CHE não era um Quixote lutando contra moinhos, mas um ser humano convencido até a alma dos seus sonhos, o que o une a todos os progressistas do mundo, nos quais a dor ou o cansaço não matou a utopia. 

 

É CHE, como diz a canção. (...) depois de tanto tempo e tanta tempestade, seguimos para sempre esse caminho longo, longo, por onde tu vais.....     

 

Pietro Alarcón, advogado, colombiano, é professor da PUC-SP.



Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 18h19
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Trem da Alegria

Senado emprega parentes de servidores não concursados
Funcionários dizem que contratações seguem normas e que não beneficiaram familiares

Claudia Lyra, secretária-geral da Mesa, que entrou antes da necessidade de concurso, tem filhas, irmãs e cunhado que também atuam na Casa

ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Senado abriga em sua burocracia verdadeiros clãs encabeçados por funcionários que entraram na Casa por meio do "trem da alegria" que existia até 1988, ascenderam a postos-chaves e agora empregam mulheres, maridos, filhos, irmãos e agregados com salários que podem chegar a até R$ 10 mil em cargos de confiança -sem a necessidade de concurso público.
Há casos de famílias inteiras acomodadas no Senado, como a da secretária-geral da Mesa, Claudia Lyra, que tem duas filhas, duas irmãs e o cunhado empregados ali. Quando assumiu a presidência do Senado, em 1985, José Fragelli (MS), já morto, espantou-se com o que encontrou. "O Senado é um loteamento familiar", disse ele.
Até 1988, não havia a obrigatoriedade do concurso. Com a Constituição, os funcionários já existentes foram efetivados. Ao assumir a presidência da Casa pela primeira vez, em 1995, José Sarney (PMDB-AP) suspendeu concursos e aumentou o quadro de comissionados. Só houve novos concursos em 1998 e outro em 2000.
Os servidores alegam que as contratações foram feitas dentro das normas, negam que tenham beneficiado parente e que muitos se conheceram no próprio trabalho e se casaram.

Padrinho
O nome Sarney está ligado à maioria dos clãs, sendo o senador o padrinho da indicação da maioria de seus chefes. Sua filha, a hoje senadora Roseana (PMDB-MA), também é funcionária da Casa -foi indicada em 1982, está licenciada desde 1990 e, ao se aposentar, terá direito a R$ 5.000 mensais.
Na lista de agraciados pelo apadrinhamento político estão ainda o ex-secretário-geral do Senado e hoje ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Raimundo Carreiro, o diretor de recursos humanos, João Carlos Zoghbi, e o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia.
A mulher de Agaciel, Sanzia Maia, é coordenadora de estágios. Ele e Claudia Lyra ingressaram no Senado sem prestar concurso e hoje estão nos cargos mais importantes da Casa.
As filhas de Claudia trabalham meio período com salários de cerca de R$ 4.000 brutos. Marina, na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo. Carla está na liderança do PMDB desde 2003.
A irmã de Claudia, Martha Lyra, é chefe-de-gabinete da Presidência do Senado, com salário superior a R$ 10 mil. O marido de Martha, Carlos Eduardo Bicalho, atua no gabinete do senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). Também foi Sarney quem indicou Martha a essa função.
Márcia, a outra irmã, é lotada na Secretaria Geral da Mesa, subordinada à irmã. A Folha não conseguiu esclarecer se ela foi concursada ou não.
Nomeada por Renan Calheiros (PMDB-AL) para comandar a secretaria-geral da Mesa, Cláudia foi acusada pela oposição de atuar para ajudar o senador a manobrar os processos contra o senador no conselho.
Agaciel foi acusado de mandar seus subordinados separar material que pudessem ser usados por Renan para pressionar seus adversários. Ambos negam favorecimento a Renan.
Raimundo Carreiro construiu sua trajetória no Senado, e empregou mulher, os três filhos e uma sobrinha -nenhum deles passou por concurso.
A mulher do ministro, Maria José Carreiro, é lotada na Diretoria Geral do Senado. Dois dos filhos trabalham meio período no serviço médico da Casa.
O diretor de RH Zoghbi tem mulher, um filho, a nora e a cunhada na área administrativa.
A mulher de Zoghbi, Denise, que dirige o Instituto Legislativo Brasileiro, tem salário de cerca de R$ 10 mil. Ex-chefe-de-gabinete de Sarney, João Roberto Baére atua na Consultoria do Senado. A irmã, Denise de Ortega Baére, é diretora da Secretaria de Taquigrafia.
Segundo a assessoria do Senado, os cargos comissionados na área técnica são 120 -54 na Presidência e Secretaria Geral da Mesa, 14 nas comissões temáticas, um no serviço médico, um nas relações públicas, seis no órgão central, 43 no órgão de assessoramento superior e um na coordenação de projeto.
Os números se chocam com a realidade do Senado. Presidentes das dez comissões, por exemplo, podem contratar até oito funcionários sem concurso. O Senado afirma que há só 14. Dois filhos de Carreiro estão no serviço médico, e o Senado disse que só tem um funcionário sem concurso na área.



Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 18h10
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Droga de Elite

Impunidade faz personagem real surgir nas estatísticas

Kayo Iglesias - do JB

Por motivos óbvios, as circunstâncias dificultam a precisão das estatísticas: usar droga é crime previsto no Código Penal. Mas, pela primeira vez, é traçado um perfil do consumidor declarado de drogas no Brasil - baseado em dados oficiais do IBGE.

O cruzamento dos números, feito por economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirma um padrão que, por vezes, aparece na tela do cinema, como em Tropa de elite: o homem, jovem, rico e com acesso à universidade que compra drogas é real. E, segundo o coordenador do trabalho, Marcelo Néri, não tem medo de se mostrar porque considera-se imune à lei.

O capítulo sugestivamente intitulado Droga de elite faz parte da pesquisa O estado da juventude: drogas, prisões e acidentes, coordenada pelo Centro de Políticas Sociais da FGV e divulgada ontem. Os técnicos utilizaram como base a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, feita em 2003, em que cerca de 0,06% da população declarou ter gastos com drogas.

- A única fonte de dados que existe sobre isso é a apreensão de drogas, que depende da existência da polícia e dos bandidos e só abrange o atacado. Essa pesquisa joga uma luz sobre o assunto. Não é uma luz do dia, ainda, mas uma lanterna - compara Néri.

A média de gastos com droga dos que se declaram usuário é de R$ 75 por mês, em valores corrigidos. A elite (leia-se: classes A e B) é representada por 72,54% dos usuários assumidos.

- Esse usuário de classe mais alta tende mais a se mostrar por ter uma sensação de impunidade maior. Reflete as políticas de combate à droga centradas apenas no braço da oferta, e não da demanda. Não acho que a repressão total funcione - opina o coordenador. - Se analisarmos o outro capítulo da pesquisa, o perfil do presidiário é o mesmo: homem, jovem, até 29 anos. A diferença está na renda.

Do total dos consumidores assumidos de drogas, 99,18% são homens, 86,56% têm entre 10 e 29 anos, 85,1% são brancos e 80,46% exercem o papel de filhos na família - não sustentam a casa.

Outra estatística que chamou a atenção dos pesquisadores da FGV é o acesso à educação de quem não tem medo de se declarar usuário. Para se ter uma idéia, apenas 4,04% da população entrevistada na POF eram compostos por universitários. Entre o universo dos que usam drogas, o índice aumenta para 29,69%.

A pesquisa, que durou um mês e meio e está disponível na íntegra no site www.fgv.br, mostra como é a percepção da violência na opinião desses usuários. Perguntados se havia problemas relacionados a crimes na vizinhança, 63,62% responderam sim.

- Isso poderia ser considerado um fator afastado da elite, mas pode se referir, por exemplo, ao jovem que mora próximo à boca- de-fumo - avalia Néri.



Escravos do século 21
por Antonio Carlos dos Reis "Salim"*

A escravidão no Brasil, como se sabe, foi extinta pela Lei Áurea, promulgada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888. Infelizmente, esse importante marco legal da história do Brasil não foi suficiente para erradicar de modo pleno, em termos práticos, esse flagelo humano. É triste saber que ainda há no país mais de 180 empresas que exploraram a deplorável prática, conforme constatado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Os escravos do século 21 atuam, principalmente, na pecuária de corte, extração de carvão e colheita de algodão e soja. Pior é que essa absurda situação atinge também os menores de idade. Dentre as 226.943 empresas fiscalizadas pelo ministério entre janeiro e agosto deste ano, mais de quatro mil crianças, de até 16 anos, muitas na primeira infância, foram encontradas trabalhando. Será que teremos de promulgar uma nova Lei do Ventre Livre?

O ministério lançou programa, em 1995, que visa a erradicar o trabalho escravo no Brasil, por meio de fiscalização, coordenada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho. Essa ação regularizaria os vínculos empregatícios, além de libertar trabalhadores submetidos a situações ilegais. Infelizmente, um grupo de senadores alegou não ter constatado eficácia da atuação dos fiscais e pediu a suspensão das ações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel. A argumentação foi que uma empresa no Pará, um dos focos das investigações, não possuía mais trabalhadores em condições precárias.

Fiscais da Delegacia Regional do Trabalho do Pará estiveram nessa empresa em outubro e dezembro de 2006 e fevereiro deste ano e constataram irregularidades. Porém, não se configurava o trabalho escravo. Mas, em julho, o grupo móvel libertou 1.064 pessoas. Pelo bem de todos os trabalhadores, o Ministério do Trabalho já conseguiu retomar essas atividades, que ficaram paralisadas pelo menos quinze dias.

Exploração não acontece apenas em fazendas do interior. Podemos encontrá-la nas capitais, como São Paulo. Algumas empresas, de bairros como Bom Retiro e Brás, aproveitam que muitos estrangeiros, principalmente bolivianos, estão ilegalmente no Brasil e oferecem situações precárias de trabalho, com baixíssimo salário e jornadas abusivas.

O que não conseguimos entender é como o Senado, que se diz tão preocupado com as condições empregatícias do Brasil, pôde autorizar a suspensão das ações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel. Esse gesto foi um convite aos abusos e à impunidade.

O país evoluiu muito desde a Lei Áurea, uma resposta da agonizante monarquia às então novas tendências filosóficas, políticas, econômicas e humanistas que marcaram o ocaso do século 19 e o limiar do século 20. Que a República, fruto das mesmas transformações históricas, possa honrar, neste Brasil do século 21, o mais precioso patrimônio humano e paradigma essencial da democracia: a liberdade!

*Antonio Carlos dos Reis "Salim" é presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp) e da Federaluz e vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT).



Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 08h22
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Opinião

Lulismo x Petismo

É certo que a imagem política do PT é hoje altamente questionada até pelos próprios petistas. Umas séries de escândalos, envolvendo corrupção, ocorreram e estão ocorrendo, na gestão Lula. No primeiro mandato, Lula contava com uma equipe de ministros endeusados, bem vistos pela opinião pública, e bem vistos pela crítica informativa. Porém, quase todos foram derrubados pelas ondas do mensalão e das quase 20 CPI’s instauradas pelos próprios companheiros de partido.

Lula carrega o PT nas costas. Sempre foi assim. Desde o primeiro mandato, o partido mostrou que não estava preparado para governar. Depois de tantos anos, o PT já deveria ter posto de lado suas divisões, suas tendências, e trabalhado mais como um partido no governo e não fazer oposição ou questionar as ações de seu próprio governo.

As contradições do partido são tantas que Lula teve até mesmo de tirar sua roupagem de presidente pra se colocar como militante e passar a mão na cabeça de um partido estraçalhado, chegando a ponto de praticamente anistiar os mensaleiros. Não foi uma boa jogada, mas Lula não tinha outra saída.

A diferença entre lulismo e petismo é tão grande que em todas as pesquisas de opinião o presidente está com a popularidade em alta e seu partido, não. Em todas as denúncias que se faz contra o governo, o PT está lá envolvido, como envolvidos estão vários integrantes do partido no julgamento do STF, mas nada atinge o presidente. Claro que partido e Lula vão se encontrar em algum momento, mas o futuro do PT depende essencialmente de Lula.

Sonia Carvalho
Elivana Marambaia
Nilzete Silveira
Jandira Barros
Contato: renatacarvalho15@hotmail.com



Escrito por FÓRUM PELA ÉTICA às 08h15
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